
Abbaye de Créspin.
A prova em copo tulipa., ainda antes da refeição. Só para que conste. Refere-se ao post anterior
Abbaye de Créspin
Esta eu não conhecia. Surgiu de um tweet desafiador desse Gran Chef @supirinho informando da sua promo existência num supermercado que não existe nestas redondezas. Se a quisesse saborear tinha de me deslocar 350 km. Mas, grandeza que é grandeza não é só tamanho. É também bondade e solidariedade. Logo, essa grande alma, se dedicou a adquirir um exemplar para que eu a pudesse degustar. Calhou no destino, uma deslocação a sul no fim de semana passado. Visita ao Palácio, boa conversa e lá vim com uma garrafa de Abbaye de Créspin.
Começando por aí, a garrafa arrolhada, aloja 75 cl de néctar dos deuses com 6,5% de álcool produzido em alta fermentação. A questão surgiu. Alta fermentação numa cerveja francesa? Pequena pesquisa no Google e detectou-se a razão. Este néctar é produzido por Les Brasseurs de Gayant, a norte de Paris já bem perto da Flandres, país dos artesãos da cerveja.
Decidimos, por não haver muita informação sobre esta cerveja, fazer duas provas. A primeira em caneca de Lager e a segunda num copo tulipa.
Em ambas usamos certificamos 7 a 8ºC como temperatura para a prova. Em ambas as provas fizemos acompanhar com carnes grelhadas, queijo e legumes. Afinal tínhamos 75 cl para a abater.
O resultado no copo tulipa foi melhor que na caneca Lager. O pouco gás carbónico, embora suficiente para uma boa coroa de espuma, é melhor contido no copo que na caneca. A surpresa de sabores à entrada foi dominada por um teor ácido cítrico, a lembrar limão, mas equilibrado por um toque caramelizado e de frutos secos. Mas é no final que sentimos a força da fermentação do cereal e dos lúpulos. Parece existir uma mistura de lúpulo aromático e de amargor. Bastante equilibrado, até. Sendo o de amargor, em conjunto com a levedura, responsável pela alta fermentação e o aromático aos 6,5% e ao equilíbrio se sabores que perduram. O sabor adocicado final revela uma utilização da levedura cuidada. A espuma aguenta-se bem mas não toda a refeição. Sugiro assim, que usem um copo tulipa pequeno e pratiquem o servir cerveja ao longo da refeição.
Gostei. Também gostei da excelente noite de sono que me proporcionou. Felizmente, parei naquele supermercado regional e consegui mais um exemplar.
Sendo uma cerveja loura, eu diria que tem apanhado bastante sol, como podem ver pela foto.
Obrigado Gran Chef @supirinho
O poder do toque
O tacto é o maior, em extensão, dos nossos sentidos mas muito pouco valorizado. Damos, essencialmente atenção ao que absorvemos pela visão e pela audição para organizar as nossas respostas transformadas em acções quotidianas ou habilidades altamente especializadas. Por momentos, ao longo do nosso dia a dia, damos particular atenção ao paladar e ao olfacto. Recorremos ininterruptamente à informação proprioceptiva e vestibular, mas nem sabemos que ela está lá a nos assegurar um bom controlo do movimento e da postura em tudo o que fazemos. O tacto é também ele constante na influência que tem no que fazemos mas vai além disso. É um instrumento de relação com enorme poder sobre as nossas interacções e emoções.
Efectivamente, utilizamos o tacto para interagir com os instrumentos do dia a dia, tais como os talheres de uma refeição, uma garrafa de água que levamos à boca para nos saciar a sede ou apreciar um fruto ou legume durante as compras num supermercado, o desfolhar um livro.
Utilizamos o tacto ao dar umas palmadinhas nas costas de um amigo cujo clube de futebol conseguiu passar uma eliminatória nas competições europeias, dando-lhe a entender que estamos contentes por ele e ele sente-se reconhecido pelo toque.
Transmitimos os nossos afectos a uma criança e determinamos a harmonia do seu desenvolvimento através de abraços, carinhos, beijos e mãos dadas impregnadas de tacto.
Descobrimos espaços e caminhos tacteando arestas, obstáculos, paredes, árvores e muros, mesmo tendo a visão disponível.
Sentimos o prazer do contacto com uma nova peça de roupa ou a irritação provocada por uma etiqueta mal cosida através da pele, esse mundo de receptores tácteis.
Sentimos o frio de um vento ao fim de uma tarde ou o calor de uma noite de verão pelo mesmo canal.
Enfim, relacionamo-nos com o mundo através deste sentido, tantas vezes ignorado. Só nos lembramos dele por razões, muitas vezes negativas como, por exemplo, quando nos queimamos, quando nos arrepiamos de frio ou quando tocamos em matéria repelente.
Mas privilegiamos o toque para obter a atenção de alguém próximo ou para intergir com tecnologia. Exemplo disto é que, mesmo já tendo visto aquele novo gadget que cobiçamos na internet dezenas de vezes, tê-lo na mão dá-nos muito mais prazer e informação simultaneamente (mesmo sabendo que não temos os euros para o adquirir).
E, ainda assim, tratamos tão mal o condutor deste sentido, a pele. Ora por defeito, não a hidratando de forma a mantê-la funcional, ora por excessos, impregnando-a de cremes e tintas a troco de uma suposta maior beleza, obtendo um efeito isolante de quase tudo o que é função do tacto.
Serve isto para quê? Pergunta o leitor destas linhas.
Informação. Mas também para ajudar a tomar consciência do toque.
Hoje de manhã, com um toque, mudei de estação de rádio.
Orgânic raw diary milk vs pasteurized/homogenized milk
formspring.me
Ask me anything http://www.formspring.me/jfaias
I just filmed a video “Portuguese Folk” @ Vila Nova de Gaia, Portugal on #viddy http://viddy.it/oTBllZ

#cervejadodia Ch’ti Blonde. Esta cerveja começou a ser produzida em 1978 na Brasserie Castelain, em Bénifontaine, no norte de França, perto de Lens a caminho da fronteira com a Bélgica. O nome provém do dialecto picardo e equivale ao francês c’est toi.
As suas características provêm da utilização de leveduras de baixa fermentação (lager) que se fazem fermentar à temperatura ambiente de 14ºC como se fossem ale. Fabrica-se pelo método de infusão o que favorece o desenvolvimento dos aromas do malte utilizado.
Tem uma cor dourada pálida e forma uma coroa de espuma cremosa de boa formação. O aroma reflecte a presença do malte fresco graças às boas notas de lúpulo.
Na boca é frutada e muito maltada. É seca, fazendo sentir os seus 8,4º de forma generosa e ligeiramente cítrica. No final, é amarga e mantém-se seca, sobressaindo a presença do lúpulo.
Beber fria em copo tulipa com um bom prato de aves. É um bom aperitivo para o que se pode encontrar mais a norte.
Nunca!
Já cai num desmaio desinterado nas montanhas do Atlas, acordei no Hospital de Faro e sobrevivi.
Já subi ao Mont Ben Nevis, flanqueado por vales oníricos e tive de lá sair.
Já dei banho a jovens grandes incapacitados, todos borrados até ao pescoço, antes de comer uma paelha.
Já comi escaravelhos e gafanhotos e repeti.
Já fechei o carro e deixei ambas as chaves lá dentro, a 4000 km de casa e regressei.
Já dormi num banco de pedra, junto ao Convento de St° Ignácio de Loyola e acordei bem disposto.
Já atravessei a pé os Picos da Europa, perdido entre Riano a Llanes.
Já me apontaram uma caçadeira de 2 canos aos olhos e de seguida deram-me sopa quente e cama por uma noite.
Já desci e subi vales marítimos e montanhas tirolesas sem saber onde ia parar.
Já mergulhei em águas frias e apanhei escaldões nas Caraíbas.
Já atravessei lagos gelados e quase entrava em terras da antiga URSS.
Já vindimei em encostas helvéticas e apanhei grão nas madrugadas alentejanas.
Já escrevi parvoíces e já emiti despachos.
Já tive brancas e agora até as tenho nas têmporas.
Já deixei para amanhã o que podia ter feito ontem.
Já matei uma galinha e depenei-a em água fria de um riacho.
Já fiz arroz de polvo para 18 pessoas em fogões de campismo.
Já lavei a louça com areia fluvial.
Já mudei centenas de fraldas.
Já me embebedei de tal forma que não sabia quem era.
Já bebi eau de vie norueguesa ( daquela que vai ao equador e volta) e fiquei de pé.
Já assisti a dois partos, segurei os meus filhos em primeira mão e eles ainda crescem.
Já fiz Lisboa - Porto em duas horas e ainda não havia A1 completa.
Já fui multado por ir a 120 km/h numa auto-estrada.
Já tive um PC com Windows.
Já esperei 20 anos por uma mulher.
Já atravessei 3 km de esgoto para escapar a bombas de artilharia que caiam a 200 m.
Já ajudei a construir uma igreja. Já estive escondido numa igreja.
Já montei tenda sobre uma toca de coelhos e não eles gostaram do meu ressonar.
Já comi 20 sardinhas, dois pães saloios, litro e meio de vinho e uma travessa de arroz doce, tudo na mesma refeição e a seguir fui a banhos na praia em frente.
Já fui ao cinema ver um filme só porque ela queria.
Já estive em Cascais e fui-me embora.
Já bebi 5 girafas numa tarde e consegui chegar a casa.
Já vi dois episódios da Lua Vermelha.
Já felicitei amigos benfiquistas por vitórias do Sport Lisboa Vale e Azevedo.
Até já usei relógio.
Mas nunca, nunca mesmo, comi tripas à moda do Porto.
#cervejadodia Augustijn
Aqui vai mais uma #cervejadodia, para recuperar de alguns dias sem posts.
Augustijn é uma Ale estilo Abadia que se pode encontrar em duas versões. Uma com 8º e uma especial, a Augustijn Grand Cru, com 9º cuja cor dourada fica mais escurecida, a lembrar o cobre.
É produzida em Ertvelde, perto de Ghent na Bélgica, desde 1874 na cervejaria Van Steenberge.
Tem um aroma acentuado com toques cítricos e notas de malte. Forma uma espuma branca de duração média. Na boca, consegue-se notar especiarias e um final meio frutado, meio lupulado, bastante equilibrado.
Não sendo uma Trappist, amadurece em garrafa, durante vários anos. Aconselho comprar uma ou duas garrafas de 75 cl ou uma de 3l (para uma de caixão à cova) e deixar repousar em local fresco e escuro.

Quando as abrirem, bebem-na em copo tipo cálice, fresca (9 a 10º) e com alguns patês e queijos para barrar no pão. Sempre prepara o estômago.
Se passarem por lá, experimentem também a Bornem triple. Mas bebem-na perto do quarto onde irão dormir e não tenham uma palestra a fazer no dia seguinte. Depois não digam que não avisei.
Confesso!…Tenho saudades de uma destas.
