O Risco de Disfunção
A integração sensorial revela-se de extrema importância em funções do dia-a-dia, tais como: comportamento, competências académicas, atenção, controlo motor, coordenação motora fina e grosseira, planeamento motor, discriminação táctil, visual e auditiva, equilíbrio, tónus muscular, competências sociais, auto-estima e auto-regulação, entre outras. Em situações que se verificam dificuldades nestas áreas, é de considerar que estas podem ser causadas por Disfunção de Processamento Sensorial (ou Disfunção de Integração Sensorial para alguns autores). Esta disfunção ocorre quando o cérebro processa as mensagens sensoriais de forma ineficiente, vindas do corpo da própria pessoa ou do seu ambiente. Os sinais sensoriais não são, portanto, organizados em respostas adequadas, o que faz com que as actividades e rotinas diárias destas crianças se tornem disruptivas. Assim, os indivíduos com disfunção de processamento sensorial têm dificuldade em responder de forma adaptativa ao ambiente. As respostas adaptativas passam naturalmente despercebidas no dia-a-dia dos indivíduos sem estas dificuldades, já que vamos criando automatismos que nos permitem a realização de acções tão simples como transportar objectos em ambas as mãos simultaneamente ou transpor um pequeno obstáculo durante a marcha. O mesmo não se verifica em caso de disfunção, tornando essas acções tão simples em problemas funcionais , muitas vezes confundidos com aquilo que chamamos falta de jeito ou “trapalhice”. O termo Disfunção de Integração Sensorial foi introduzido por Jean Ayres, em 1963. Ayres, Terapeuta Ocupacional, tendo como base o seu conhecimento da neurociência e através de uma observação detalhada do comportamento da criança, constatou que um fraco processamento sensorial pode resultar numa variedade de problemas funcionais, os quais intitulou de Disfunção de Integração Sensorial. Na origem destes problemas sensório-integrativos, surge um conjunto de factores divididos em factores biológicos e ambientais, passíveis de se correlacionarem com o comprometimento posterior do desenvolvimento da criança. O risco biológico diz respeito a factores na criança ou na mãe conhecidos por serem potenciais causadores de consequências adversas para a criança. Incluem-se neste grupo condições estabelecidas (condições médicas definidas, como problemas congénitos, genéticos ou de doença crónica ou a eventos pré, peri ou pós-natais que podem aumentar a probabilidade de alterações no desenvolvimento), prematuridade, baixo peso ao nascimento (menos de 2500 gramas), doença ou incapacidade da mãe ou criança, hospitalizações, mãe adolescente ou maior que 35 anos de idade, mãe fumadora ou consumidora de drogas durante o período de gravidez. Quanto ao risco ambiental, consiste em factores no ambiente da criança capazes de causar efeitos adversos na mesma, como o baixo estatuto socioeconómico, cuidados parentais inadequados, exposição a negligência, violência ou abusos, pobre nutrição, baixa escolaridade materna, famílias monoparentais, famílias numerosas, situações de crise como separação dos pais, desemprego parental. Os estudos que incluem factores de risco e desenvolvimento infantil procuram geralmente explorar e conhecer possíveis relações. Algumas investigações relacionam aspectos específicos da criança com factores de risco ambientais e biológicos, por exemplo, a saúde mental da criança, o desenvolvimento motor e social, os atrasos globais de desenvolvimento. Estes estudos, para além de estabelecer e descrever relações, geralmente tendem a ressalvar a importância da prevenção, assim como de uma intervenção precoce especializada. É onde surge a Terapia Ocupacional e a abordagem de Integração Sensorial.
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